
O Parque Estadual do Rio Doce (Perd), administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) , concluiu o Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) para o período de 2026 a 2029. Elaborado pela equipe gestora da unidade, o documento passa a orientar as ações de prevenção, monitoramento, manejo e combate aos incêndios florestais na área protegida, considerada o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica em Minas Gerais.
O novo plano substitui o antigo Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PIPCIF) e adota uma abordagem mais ampla, baseada nos princípios do Manejo Integrado do Fogo (MIF). A metodologia considera aspectos ecológicos, climáticos, sociais e operacionais relacionados ao uso e à ocorrência do fogo, permitindo um planejamento mais estratégico e adaptativo.
Localizado nos municípios de Marliéria, Timóteo e Dionísio, o parque possui cerca de 36 mil hectares e abriga uma das mais importantes reservas de biodiversidade do país. Integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela Unesco, a unidade desempenha papel fundamental na conservação de espécies ameaçadas, recursos hídricos e estoques de carbono.
Incêndios representam ameaça à biodiversidade
Segundo o PMIF, os incêndios florestais estão entre as principais ameaças à integridade ecológica do parque. A Mata Atlântica apresenta baixa resiliência ao fogo e pode sofrer impactos significativos mesmo em ocorrências de menor intensidade, incluindo perda de biodiversidade, alterações de habitats e favorecimento de espécies invasoras.
O documento aponta que fatores como aumento das temperaturas, estiagens prolongadas, expansão urbana, fragmentação florestal e uso inadequado do fogo em áreas vizinhas ampliam a vulnerabilidade da unidade. Entre 2013 e 2025, foram registradas 93 ocorrências de incêndios florestais no parque, com destaque para os anos de 2019, 2021 e 2024.
Uma das novidades do plano é a incorporação de dados meteorológicos produzidos pelo projeto Climaperd, desenvolvido pelo Laboratório de Climatologia (LabClim) do IFMG – Campus Governador Valadares. O monitoramento contínuo permitirá identificar períodos críticos, definir níveis de alerta e orientar as ações das brigadas.
Os estudos indicam que os meses de julho a setembro concentram o maior risco de incêndios, devido à baixa umidade, escassez de chuvas e maior inflamabilidade da vegetação.
Ações integradas e fortalecimento da gestão
O PMIF prevê medidas como ampliação e manutenção de aceiros, fortalecimento das brigadas, capacitação de equipes, monitoramento territorial, realização de pesquisas científicas e desenvolvimento de ações de educação ambiental junto às comunidades do entorno.
O documento também destaca experiências bem-sucedidas de queima prescrita em áreas de risco. Em 2025, uma ação realizada em parceria com a ArcelorMittal BioFlorestas demonstrou que a integração entre setor público e iniciativa privada pode aumentar a eficiência das estratégias de manejo do fogo e gerar ganhos para a conservação da biodiversidade.
Outra inovação é a sistematização do planejamento estratégico, que estabelece metas, indicadores, responsabilidades e cronogramas para orientar a implementação das ações. O plano também prevê o fortalecimento da governança, a ampliação da conectividade florestal e a proteção de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade e da segurança hídrica, como a região da Jacuba.
Além de reduzir os riscos de incêndios, o PMIF busca fortalecer a proteção dos serviços ecossistêmicos prestados pelo parque. Estudos citados no documento indicam que o Perd armazena aproximadamente 3,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) em sua vegetação, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento das mudanças climáticas.
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