
O Governo de Minas Gerais , por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), dará início a um amplo programa de fortalecimento das Unidades de Conservação (UCs) localizadas na Bacia do Rio Doce. Com recursos do Acordo de Reparação do Rio Doce, serão investidos cerca de R$ 850 milhões ao longo dos próximos 20 anos em ações voltadas à consolidação das áreas protegidas, à prevenção e ao combate aos incêndios florestais e à regularização fundiária.
Coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) , o projeto beneficiará 17 unidades de conservação distribuídas em 39 municípios da região. A iniciativa busca ampliar a proteção dos ecossistemas, fortalecer a conservação da biodiversidade e garantir melhores condições para atividades de pesquisa, turismo sustentável e educação ambiental.
O programa está estruturado em três eixos principais: consolidação das unidades de conservação, prevenção e combate aos incêndios florestais e regularização fundiária. As ações contribuirão para a recuperação ambiental da Bacia do Rio Doce, além de fortalecer a segurança hídrica e a conectividade entre áreas naturais.
Nos cinco primeiros anos, os investimentos estarão concentrados na estruturação técnica, operacional e administrativa das unidades contempladas. Estão previstas melhorias de infraestrutura, adequação de sedes administrativas, levantamentos fundiários, identificação de áreas prioritárias para regularização, aquisição de equipamentos para prevenção e combate a incêndios, implantação de sistemas de monitoramento e fortalecimento das atividades de pesquisa e visitação.
Segundo a diretora de Unidades de Conservação do IEF, Maria Auxiliadora Nemésio Cotta, o projeto já está em fase preparatória. “Atualmente, está em elaboração um diagnóstico das Unidades de Conservação estaduais, condução de licitação para aquisição de bens e serviços e levantamento da situação fundiária das unidades. Após a conclusão do diagnóstico terá início o trabalho de regularização fundiária, planejamento de compras e ações de consolidação das UCs”, explica.
As Unidades de Conservação desempenham papel estratégico na recuperação da Bacia do Rio Doce ao proteger remanescentes de vegetação nativa, preservar habitats da fauna e da flora e contribuir para a segurança hídrica da região. Além dos benefícios ambientais, o fortalecimento dessas áreas também favorece o turismo de natureza, a pesquisa científica e a geração de renda para as comunidades locais.
Entre as unidades contempladas estão os parques estaduais do Rio Doce, Serra do Brigadeiro, Itacolomi, Pico do Itambé, Serra do Intendente, Sete Salões e Mata do Limoeiro, além de áreas de proteção ambiental, monumentos naturais e uma nova unidade de conservação a ser criada na área conhecida como Jacuba.
Os recursos integram as ações de reparação ambiental previstas no Acordo do Rio Doce, repactuado em 2024, e representam um dos maiores investimentos já destinados à conservação ambiental em Minas Gerais. A expectativa é que a iniciativa fortaleça a gestão territorial das áreas protegidas e deixe um legado duradouro para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais da bacia.
O rompimento da barragem de Fundão causou a morte de 19 pessoas e provocou danos ambientais em grande escala. O acordo foi repactuado em outubro de 2024 pelos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e Federal, os Ministérios Públicos Federal e estaduais, as Defensorias Públicas da União e estaduais e as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton.
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