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Vacinas: debatedores afirmam que país precisa estar preparado para novas pandemias

Os entraves regulatórios e o financiamento da produção de vacinas nacionais foram tema da audiência pública promovida nesta quarta (24) pela Comiss...

24/06/2026 às 16h26
Por: Redação Fonte: Agência Senado
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 - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
- Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Os entraves regulatórios e o financiamento da produção de vacinas nacionais foram tema da audiência pública promovida nesta quarta (24) pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado (CCT).Parlamentares e especialistas defenderam o apoio aos laboratórios públicos, argumentando que o país precisa ser capaz de dar respostas rápidas a problemas futuros — como uma nova pandemia.

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Ao presidir a audiência, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) afirmou que a pandemia de covid-19 demonstrou a necessidade de investimentos na área. Para o senador, é obrigação do Congresso Nacional e do Executivo preparar o país para essas situações. Foi ele quem solicitou o debate.

Ao ressaltar que a maioria das vacinas nacionais é resultado da transferência de tecnologia, Pontes declarou que "desenvolver vacina no Brasil é extremamente importante; isso não pode ficar na mão de outros países num momento crítico como uma pandemia".

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O senador reconheceu, contudo, a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de oferecer vacinas em locais remotos e de difícil acesso, principalmente diante de condições especiais de transporte (como a exigência de manutenção de certas temperaturas para as vacinas).

A Organização Mundial de Saúde estima que pelo menos três milhões de vida por ano são salvas com programas de vacinação.

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Programa Nacional de Imunizações

Diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Eder Gatti Fernandes afirmou que o governo se comprometeu com a imunização em todo o país.

Para garantir que o programa funcione, ele informou que foram estabelecidas parcerias com laboratórios públicos nacionais, como o Instituto Butantan e o Bio-Manguinhos. O primeiro é o principal fornecedor de vacinas contra a gripe; o segundo fornece vacinas para doenças como sarampo, tétano e febre-amarela.

Segundo Eder Gatti, o Brasil precisa estar atento ao desenvolvimento de vacinas. Ele disse que, para um período de 30 anos, modelagens matemáticas indicam que há 70% de risco de uma nova pandemia com algum vírus respiratório.

— Nós precisamos, sim, valorizar a produção nacional. Precisamos, sim, valorizar os nossos laboratórios públicos e também precisamos estabelecer parcerias com o setor privado, para trazer tecnologias para o país e garantir a modernização da nossa produção e também do nosso Calendário Nacional de Vacinação, além de financiar a infraestrutura do nosso parque industrial em vacinas e financiar estudos de desenvolvimento de vacinas — argumentou ele.

FNDCT

Representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Thais Haline Vaz Sousa destacou que tem houve um aumento dos valores disponíveis no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT): de R$ 7,2 bilhões em 2020 para R$ 17,7 bilhões estimados para 2026. Nesse ministério, ela é a coordenadora-geral substituta de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos.

Dificuldades

Coordenador do Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ricardo Gazzinelli apontou dificuldades no processo de desenvolvimento de vacinas, desde a saída da instituição, até questões como infraestrutura, pessoal capacitado, treinamento de pesquisadores, financiamento e andamento dos processos nas agências regulatórias, que são o ultimo elo da inovação da cadeia de saúde.

Gazzinelli lembrou que em 2024 foi aprovada a lei 14.874 (marco legal da pesquisa clínica) que determina que se a Anvisa não se manifestar dentro do prazo legal de 90 dias úteis, o estudo pode ser considerado aprovado para fins regulatórios, desde que os demais requisitos legais e éticos tenham sido cumpridos. Mas ele afirmou que o processo nacional tem sido longo, enquanto na política de “reliance” (confiança) promove-se a aprovação acelerada de protocolos clínicos aprovados em agências regulatórias do exterior, favorecendo a inovação vinda do hemisfério norte.

— Então, o que nós estamos vendo hoje é que a inovação que vem do exterior é aprovada muito mais rápido, seja feita por uma companhia farmacêutica, seja feita por uma universidade, enquanto que a inovação nacional está parada — expôs o coordenador.

Gerente-geral de Produtos Biológicos, Radiofármacos, Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas da Anvisa, Anderson Vezali Montai explicou que a agência trabalha com “um processo técnico extremamente robusto de forma que seja garantida a qualidade, segurança e eficácia do produto para ser lançado no mercado”.

— No processo de “reliance”, temos uma lista de agências reguladoras que nós seguimos e dentro desse processo, não há um reconhecimento tácito. Nós aproveitamos as informações que eles nos fornecem para tomarmos uma decisão mais célere e o processo de registro já está desenvolvido e aprovado fora.

No caso da vacina da dengue, segundo o gerente da Anvisa, houve uma atuação muito próxima junto ao Butantan. Durante o processo de análise, em 2024, houve quatro notificações de exigências, discutidas com o Instituto. O registro foi concedido ao final de 2025, após discussões com consultores especializados.

— De forma que nós chegamos na decisão que os dados eram muito bons A parte de desenvolvimento estava satisfatória, atendendo a todos os nossos critérios. Os estudos clínicos mostraram dados bastante promissores — com quase 17 mil pessoas — sem a detecção de eventos adversos graves. E a Anvisa decidiu por aprovar o produto em dezembro de 2025.

Instituto Butantan

Com recém-completos 125 anos, o Instituto Butantan oferece através do PNI, dez vacinas diferentes, doze diferentes tipos de soro e está em processo de consolidação de elevar a quantidade de anticorpos monoclonais de um para quatro, que são anticorpos para fazer a base de tratamento de doenças autoimunes, doenças degenerativas neurológicas e vários tipos de câncer.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Esper Georges Kallás, o centro também tem um corpo de pesquisadores que trabalha com linhas de pesquisa para trazer novos produtos com necessidades não atendidas pelo SUS, entre elas, a vacina contra o vírus Zica, em desenvolvimento, e a gripe aviária.

É uma das pouquíssimas instituições do mundo que têm a capacidade de vir desde a descoberta de uma pesquisa fundamental em bancada de laboratório até trilhar todo o caminho e atingir um licenciamento de um produto. A gente tem o potencial de trilhar esse caminho de desenvolvimento e inovação no Brasil, algo que eu acho que é uma das principais conquistas consolidadas ao longo desses anos, porque a gente pode oferecer novas opções para o brasileiro— disse Kallás.

Também participaram da audiência a gerente do Departamento de Saúde e Qualidade de Vida da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) Adriana Battaglia e Manoel Barral Netto, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

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