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Profissionais do ambulatório do Hospital Júlia Kubitschek alertam para sinais da endometriose

Data de conscientização sobre a doença reforça a importância do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo

07/05/2026 às 16h07
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais
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Pedro Chagas
Pedro Chagas

Cólicas incapacitantes, dores nas relações sexuais, inchaços frequentes e dificuldades para engravidar. Estes são alguns sintomas com os quais portadoras de endometriose têm que lidar. O Dia Mundial da Endometriose, 7 de maio, conscientiza sobre a doença crônica que afeta uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva e que é caracterizada pelo crescimento de tecido de endométrio (que reveste o útero) fora da cavidade uterina, afetando órgãos como ovários, trompas e intestino.  

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Leila Herculano / Crédito foto: Pedro Chagas
Leila Herculano / Crédito foto: Pedro Chagas

Profissionais do Hospital Júlia Kubitschek (HJK), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) , destacam a importância do diagnóstico precoce, ainda considerado um desafio. Integrado ao Ambulatório da Saúde da Mulher da unidade, o serviço especializado atende desde pacientes que sofrem com dores crônicas até as que já enfrentam um quadro de infertilidade ou lesões profundas. 

Criado em 2025, o setor recebe mulheres encaminhadas pela rede municipal tanto para acompanhamento clínico quanto cirúrgico, em casos mais graves. Com atendimentos às segundas e quartas-feiras pela manhã, a equipe acompanha de dez a 15 pacientes por dia.  

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De acordo com a ginecologista especialista na doença, Carolina Guedes, que atua no serviço, o tratamento é focado em garantir a qualidade de vida das pacientes. A equipe oferece um manejo individualizado da dor crônica, um dos principais sintomas da doença. A abordagem multidisciplinar é fundamental, devido à natureza complexa e multifatorial da doença.

“Muitas pacientes chegam sensibilizadas, sem diagnóstico e com acompanhamento inadequado, com quadros avançados da doença. Então nosso trabalho, além de oferecer o tratamento que elas necessitam, é acolhê-las de forma integral e humanizada”, explica Carolina Guedes.

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De acordo com ela, o tratamento é focado em garantir a qualidade de vida das pacientes. A equipe oferece um manejo individualizado da dor crônica, um dos principais sintomas da doença. A abordagem multidisciplinar é fundamental, devido à natureza complexa e multifatorial da doença. 

“A assistência envolve a reprodução humana, coloproctologia, urologia, psicologia, nutrição, fisioterapia e sexologia. A colaboração com a equipe de coloproctologia é especialmente importante para casos com acometimento intestinal, o mais comum na endometriose profunda, enquanto a urologia atua quando há envolvimento da bexiga”, detalha.

No caso de pacientes com dificuldades para engravidar, o serviço conta com o ambulatório de infertilidade, que auxilia na avaliação e encaminhamento para técnicas de reprodução assistida ou cirurgias. 

Endometriose não é uma sentença 

Após um ano tentando engravidar, a empregada doméstica Leila Herculano, de 38 anos, passou a sentir cólicas intensas e foi diagnosticada com endometriose aos 35. Inúmeros exames e consultas depois, ela recebeu a indicação de cirurgia. Frustrada, já que queria engravidar naturalmente, foi encaminhada ao HJK para as consultas pré-operatórias, onde recebeu o apoio que precisava naquele momento. Ao investigar um mal-estar, descobriu uma gravidez inesperada. “Eu não acreditava. Minha ficha só caiu quando ouvi o coraçãozinho dele bater”, conta. Léo nasceu saudável, com 37 semanas, e ela resume: “ele é meu milagre”. 

Quando os sintomas são ignorados  

Para Carolina Guedes, o maior desafio para o diagnóstico precoce é o reconhecimento da doença tanto pela sociedade quanto por parte dos profissionais de saúde.  

“Ainda existe uma certa negligência não intencional, um entendimento equivocado de que a dor intensa na menstruação é algo normal, e uma negação pela própria paciente da gravidade do que ela sente". 

Esse desconhecimento e a falta de crença nas queixas das mulheres dificultam o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. “Por isso, ampliar a visibilidade e o conhecimento sobre a doença é essencial para a prevenção e melhora da qualidade de vida das pacientes”, conclui. 

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