
Os incêndios de origem elétrica dentro de residências mais que dobraram nos últimos cinco anos no Brasil, com crescimento de 102%, segundo dados do Anuário Estatístico da Abracopel 2026, ano base 2025. Em Minas Gerais, as ocorrências também avançaram, com alta de 32% em um ano. Diante do cenário, a Cemig alerta para riscos comuns nas residências e orienta sobre como prevenir acidentes.
Como evitar incêndios de origem elétrica
Uma das principais recomendações para evitar acidentes é a instalação do Interruptor Diferencial Residual (IDR), equipamento que desliga automaticamente a energia do imóvel ao identificar falhas na rede, prevenindo choques elétricos e incêndios. Desde 1997, as normas brasileiras exigem o uso do DR em locais como banheiros, cozinhas, áreas de serviço e garagens. Apesar disso, a Abracopel estima que apenas 47% das residências brasileiras possuam o DR.
A forma como a instalação elétrica é planejada faz toda a diferença para a segurança dentro de casa. De acordo com o gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, o ideal é que aparelhos de maior potência, como ar-condicionado, chuveiro elétrico e micro-ondas, tenham circuitos exclusivos, evitando sobrecargas na rede.

“É importante também que todas as casas tenham um projeto elétrico, o que facilita a manutenção e até a avaliação para o acréscimo de novas cargas. Além disso, qualquer serviço elétrico deve ser realizado por profissionais qualificados, para que não haja esse tipo de ocorrência”, explica.
A utilização de "Ts", benjamins e extensões para a conexão simultânea de vários aparelhos é comum em muitos lares brasileiros. No entanto, essa prática é perigosa, já que pode provocar sobrecarga de energia, causando sobreaquecimento e curtos-circuitos em redes não preparadas para suportar a carga elétrica, o que pode resultar em incêndios e até acidentes fatais.
Além disso, o uso de adaptadores em aparelhos de maior potência, como fritadeiras elétricas, ferros de passar e aquecedores, também representa risco elevado. Esses equipamentos exigem uma capacidade elétrica que, muitas vezes, não é suportada pelas instalações residenciais, aumentando a probabilidade de falhas e incêndios.
Causas e tipos mais comuns
Dados do a Abracopel 2026 reforçam que as residências permanecem como o principal palco desse tipo de ocorrência. No ano passado, foram registrados 619 incêndios nesse tipo de ambiente, o que representa um aumento de 22,1% em relação a 2024 e corresponde a quase 47% do total de incidentes registrados. Em relação ao número de fatalidades, o ambiente domiciliar teve 51 das 60 mortes contabilizadas no período.
Os dados do anuário detalham ainda as principais causas dos incêndios de origem elétrica no país. Em 2025, as instalações elétricas inadequadas lideraram o ranking, com 706 ocorrências e 33 mortes. Na sequência, aparecem equipamentos como ar-condicionado e ventiladores, responsáveis por 166 incidentes e 14 óbitos.
Também figuram entre as principais causas os eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos, com 113 ocorrências e três mortes. Já problemas em tomadas resultaram em 20 registros e duas mortes, enquanto o uso de carregadores de celular esteve associado a 19 incidentes e cinco óbitos.
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