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Após ataques e ameaça de demissão, Trump recebe Powell na Casa Branca

Decisões sobre juros serão tomadas “com base apenas em análises cuidadosas, objetivas e apolíticas”, disse o Federal Reserve após a reunião

29/05/2025 às 15h36
Por: Redação Fonte: Metrópoles
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Após ataques e ameaça de demissão, Trump recebe Powell na Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira (29/5), na Casa Branca, o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, alvo de uma série de críticas, ataques e ameaças do republicano desde o início de seu segundo mandato, em janeiro deste ano.

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De acordo com comunicado divulgado pela autoridade monetária dos EUA, a reunião ocorreu a convite de Trump.

Em sua última reunião, no início de maio, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano. Foi a terceira reunião consecutiva na qual a autoridade monetária norte-americana manteve inalterada a taxa de juros.

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Antes das três últimas reuniões, o Fed tinha levado a cabo um ciclo de três quedas consecutivas dos juros nos EUA, que começou em setembro do ano passado – o primeiro corte em cinco anos.

O que foi discutido na reunião

“Powell não discutiu suas expectativas para a política monetária, exceto para enfatizar que a trajetória da política monetária dependerá inteiramente das informações econômicas recebidas e o que isso significa para as perspectivas”, informou a nota do Fed.

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Ainda segundo a nota do BC norte-americano, “Powell disse que ele e seus colegas do Fomc definirão a política monetária, conforme exigido por lei, para apoiar o emprego máximo e preços estáveis, e tomarão essas decisões com base apenas em análises cuidadosas, objetivas e apolíticas”.

Guerra entre Trump e Powell

Em meados de abril, Donald Trump subiu o tom contra o chefe da autoridade monetária e cobrou a redução da taxa de juros no país.

“Os preços do petróleo caíram, os alimentos estão mais baratos e os EUA estão enriquecendo com as tarifas. O ‘atrasado’ já deveria ter reduzido as taxas de juros, como o BCE [Banco Central Europeu] fez há tempos, mas com certeza deveria reduzi-las agora. A demissão de Powell não pode vir rápido o suficiente”, afirmou Trump.

Mais tarde, após receber a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, para um almoço, Trump reafirmou as críticas a Powell e indicou o desejo de afastá-lo do cargo: “Se eu pedir, ele vai embora”, afirmou.

Poucos dias depois, diante do mal-estar no mercado e da queda das bolsas nos EUA e na Europa, Trump recuou, amenizou o tom e praticamente afastou a hipótese de demitir Powell. “Nunca tive essa intenção. A imprensa exagera as coisas”, disse a repórteres.

“Não, não tenho intenção de demiti-lo. Gostaria de vê-lo ser um pouco mais ativo em relação à sua ideia de reduzir as taxas de juros”, prosseguiu o presidente dos EUA. “Acreditamos que este é o momento perfeito para reduzir a taxa, e gostaríamos de ver nosso presidente [do Fed] agir com antecedência ou pontualmente, em vez de com atraso.”

A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.

Em 2022, Jerome Powell foi indicado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, para um segundo mandato à frente do Fed – que termina em maio de 2026. O entendimento majoritário nos EUA é o de que o presidente do Fed não pode ser removido do cargo sem que haja uma “justa causa”. Há, no entanto, um caso pendente de decisão pela Suprema Corte do país que remete a um precedente estabelecido há 90 anos, em 1935.

Juros ainda não caíram sob Trump

Antes mesmo de tomar posse para seu segundo mandato na Casa Branca, Donald Trump já fazia críticas às decisões do Fed sobre a taxa de juros e defendia que os cortes fossem intensificados – o que ainda não ocorreu em seu atual mandato.

Já empossado presidente, em discurso durante o Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), Trump disse que trabalharia para que os juros nos EUA caíssem “imediatamente”.

“Com os preços do petróleo caindo, exigirei que as taxas de juros caiam imediatamente e, da mesma forma, elas deveriam cair em todo o mundo”, afirmou o presidente norte-americano.

A ascensão de Trump novamente ao poder na maior potência econômica do mundo trouxe mais incerteza ao cenário avaliado pelo Fed. Muitas políticas propostas pelo republicano, como a aplicação de tarifas comerciais a outros países e a deportação de imigrantes, têm o potencial de pressionar a inflação no país.

Em novembro, após a confirmação da vitória de Trump sobre Joe Biden nas eleições, o Fed justificou a diminuição no ritmo de corte de juros afirmando que “as perspectivas econômicas são incertas e o comitê está atento aos riscos”. Na ocasião, o nome de Trump não foi mencionado.

Ata do Fed

Na quarta-feira (28/5), o Fed justificou a decisão de manter a taxa básica de juros da economia norte-americana inalterada, em reunião realizada no início do mês, pelo risco de uma “inflação mais persistente que o esperado”. O argumento está presente na ata da reunião do Fomc, divulgada pela autoridade monetária dos EUA.

“Quase todos os participantes [da reunião] comentaram sobre o risco de a inflação se mostrar mais persistente do que o esperado”, diz a ata do Fed.

No documento, o BC norte-americano diz ainda que a economia dos EUA poderia enfrentar “tradeoffs difíceis” nos próximos meses, como o aumento da pressão inflacionária e do desemprego – o que, em última análise, reforça riscos de uma eventual recessão.

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